Hoje o mundo celebra o aniversário do genial ator Jerry Lewis...ou pelo menos deveria! Como todos os comediantes, sempre foi subestimado por enorme parcela da crítica que via em seus trejeitos e caretas um humor de apelo fácil, quase infantil. Basta conhecer um pouco de seu trabalho para constatarmos que não poderiam estar mais errados!

Joseph Levitch, que completa hoje 84 anos, nasceu em um berço de artistas. Seu pai, Danny Lewis era um ator de Vaudeville e sua mãe Rachel Levitch tocava piano para uma estação de rádio local. Desde os cinco anos de idade já gostava de fazer os outros rirem e aos quinze anos já havia criado uma brincadeira que viria a ser usual em seus projetos futuros, acompanhar com gestos exagerados uma música.
No início da década de 40 formou parceria com o cantor Dean Martin. Em uma época onde o humor era burlesco e formado por esquetes baseadas em uma ação única (mais ou menos como o atual programa global: Zorra Total) e portanto direcionado a um público mais simplório, Martin e Lewis traziam em sua bagagem uma forte carga de ironia e anarquia, escondidos por trás de duetos nada harmônicos onde Lewis, que cantava muito bem na vida real, forçava sua voz a ponto de torná-la um tormento aos ouvidos enquanto inseria trechos cômicos nas melodias de Martin. Outra inovação era o formato de humor livre, baseado apenas na interação e nos improvisos da dupla, algo que marcou profundamente o showbusiness da época e modificou tudo desde então.
Não demorou para que Hollywood se apoderasse da dupla e os colocasse em uma fórmula vencedora, mesmo que aprisionada por alguns clichês. Sempre haveria os momentos onde o galâ Dean Martin cantaria belas canções de amor e um espaço reservado para o talento de Lewis brilhar sozinho. E é nesse momento que ficava claro quem era o real gênio por trás da dupla. Enquanto Martin sempre foi um ótimo cantor que conseguia ser engraçado, Lewis era extremamente engraçado naturalmente e conseguia cantar, fazendo bem as duas coisas. Desde o início tentava expandir os limites do humor, trazendo novas maneiras de se conseguir uma gargalhada, seja por gestos exagerados, caretas ou intrincadas cenas realizadas perfeitamente, demonstrando excelente timing cômico.
Mesmo os dois sendo amigos fora das telas, o ciúme profissional e a crescente popularidade de Lewis, fizeram com que Martin desfizesse a parceria após mais de quinze filmes. Os dois ficaram décadas sem se falar, até que um amigo em comum: Frank Sinatra, os colocou frente a frente, para a comoção de uma surpresa platéia em um Telethon apresentado por Lewis em 1976. Ali ficou notório o quanto os dois realmente se gostavam e haviam amadurecido.
No final da década de 50, já sem a companhia de Dean Martin, Lewis continuou carreira nos estúdios Paramount. Foi nessa época que sua genialidade encontrou o equilíbrio perfeito, dando luz a obras primas eternas e reverenciadas até hoje.
Em 1960 tomou o comando de sua primeira produção com total poder criativo, originando o clássico: “O Mensageiro Trapalhão” (The Bellboy) onde interpreta um mensageiro de hotel que não fala uma palavra durante toda a projeção, porém realiza as maiores trapalhadas. Seu trabalho nesta obra faz referência a astros do humor como Jacques Tati, Chaplin e Stan Laurel, sendo na realidade uma linda homenagem ao cinema do gênero. Nesta pequena obra prima está contida o amálgama de tudo em que Lewis acreditava, com facetas de vários estilos de humor, o grotesco, físico, inteligente, cínico e o infantil, ingênuo e inocente.
Nesta obra, Lewis criou um artifício que muitos operadores de câmera hoje em dia nem fazem idéia que foi ele o inventor. Até aquele momento, o diretor filmava as cenas e tinha que esperar 24 horas para poder visualizá-las, Lewis então procurando resolver esse problema patenteou um sistema onde colocava uma câmera de vídeo ao lado da câmera de filmagem, os dois compartilhando a mesma imagem. Assim Jerry poderia voltar e ver sua cena sempre que quisesse, realizando pequenos ou grandes ajustes. Esse protótipo hoje chama-se “Assistente de Vídeo”, sendo presença obrigatória em todos os set´s de filmagem.
Outras obras primas seguiram-se, como: “O Terror das Mulheres” (The Ladies Man), “O Mocinho Encrenqueiro” (The Errand Boy) e o insuperável “O Professor Aloprado” (The Nutty Professor).
No filme de 1964: “O Otário” (The Patsy), foi o responsável por mais uma inovação cenográfica, quando ao final, as câmeras se distanciam deixando exposto que aquilo tudo era um set de filmagem e mostrando-se não como o personagem, mas sim como o diretor Jerry Lewis, desconstruindo o sonho da maneira mais engraçada possível. Fellini fez parecido em “E La Nave Va” quase 20 anos depois e foi considerado original...Jerry já havia ousado muito antes!
Hoje em dia, Jerry se dedica em uma luta que já trava desde o início de sua carreira, a favor das vítimas de distrofia muscular, realizando anualmente programas televisivos que buscam angariar fundos para a causa, os chamados Telethon´s. Ao final de cada apresentação emociona-se cantando a clássica: “You´ll Never Walk Alone” (Você nunca andará só) e nota-se o comprometimento de uma vida dedicada a arte, ao aprimoramento constante e sua generosidade. Parabéns Jerry Lewis!
Comentários (16)
RSS feed Comments...
...
Ela sempre foi um pouco atrapalhada.
Parabéns pelos textos.
Sucesso!!!!
Gênio da comédia
Ótimo !
Jerry é meu comediante favorito ! Fico emocionada quando o vejo já velho pois ,a imagem dele novinho e cheio de trejeitos engraçados não sai da minha cabeça. Para mim ele será sempre o "bagunceiro arrumadinho"!!
Amei a homenagem !!
.
Se você com 26 escreve assim, imagina com 40, o que não vai fazer!
Parabéns por lembrar desse gênio eterno!
Texto maravilhoso
http://vertigop.blogspot.com
ARREPIADO DE EMOÇÃO
Parabéns
Me fez aqui recordar de uma época linda da minha infância quando assistia esse gênio do humor na sessão da tarde!!!Tempo bom!!!
O texto excelente do Octávio retratou divinamente toda a genialidade do grande Mestre Jerry Lewis!
Parabéns ao mocinho encrequeiro!
Jerry Lewis!!
Parabéns pela linda homenagem!
Parabéns!
Abraços
...
...
homenagem
olha quem não gostar de Jerry Lewis, não sabe o que é a vida. eu as vezes fico me perguntando onde estão aqueles filmes de antes que passava? eu sou um fâ de JL que Deus continui abençoando a ele , e a vc pr trazer essas reliquias para nós valeuuuuuuuuuuuuuuuuuu.....

Sou nova na área ! Mas já ouvi falar muito de vc,Octavio!
E neste meu começo já encontro esta magnífica homenagem a este ser humano fenomenal que é o Jerry Lewis....Já vi que vc sabe de tudo .
Super lindo o que vc escreveu! Vi quase todos os filmes dele...
Deus dê saúde a ele para não ficarmos orfãos de mais um ícone das ótimas comédias.
Mesmo já não fazendo filmes ,ele se dedica,de corpo e alma ,ao Teleton.
Parabéns a Jerry e a vc,Octavio!
OBS : Com calma , vou lendo todos os seus textos.Por este , já vi que vem coisa muito boa por aí !...Abs.