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Acredite: um livro brasileiro lista um filme de De Palma como ruim

Há quem questione e cultue listas. O escritor paulista Renzo Mora, também autor de Sinatra – o homem e a música e Fica frio! Uma breve história do cool, é controverso no gênero: ele acaba de lançar uma edição conjunta de dois livros: O Cinema falado e 25 filmes que podem arruinar a sua vida. O Cinema falado, publicado originalmente em 1999, reúne as melhores e piores frases de cinema, e o recente 25 filmes que podem arruinar a sua vida é uma lista dos piores filmes já visto por ele, com comentários ácidos. Entre o que Renzo considera que há de pior? Lambada, a dança proibida (1990), Batman e Robin (1997) e até A fogueira das vaidades (1990), de Brian De Palma, que Renzo, inclusive, afirma admirar. Em entrevista ao Cinema.com.br, Renzo fala de seus livros e solta suas opiniões sobre o cinema atual.

 

De onde veio a ideia de fazer dois livros que são listas que classificam o “bom” e o “ruim”, tanto nas frases de cinema, no caso do Cinema Falado, quanto nos próprios filmes, no 25 filmes que podem arruinar a sua vida?

Renzo Mora: Nos Estados Unidos é muito comum esse tipo de livro que lista frases, dentre outras coisas, então, a ideia em si não foi minha.  Mas eu sempre fui fã de filme, tanto os muito bons, quanto os muito ruins. Gosto desses extremos, acho que eles te provocam de alguma forma. No caso dos 25 filmes que podem arruinar a sua vida, eu pensei que como já tinha visto tanto filme ruim na minha vida poderia fazer um livro falando deles. O que quis deixar claro neste livro é que filme ruim não significa filme de baixo orçamento. Existem filmes de bom orçamento e que tinham tudo para dar certo, como a Fogueira das vaidades, que é feito em cima de um livro excelente do Tom Wolfe, tem bons atores, excelente diretor e é um fracasso. Assim como filmes de baixo orçamento que são criativos.

 

E qual filme de baixo orçamento você classificaria como um bom filme?

A pequena loja de horrores, sem dúvida. Existem filmes dos anos 1940 também que tiveram verba baixa e têm uma imagem bem escura, que por muito tempo levou alguns críticos a perguntar se essa escuridão era representação da contemporaneidade, mas não era nada disso. Era porque gastavam pouco com iluminação mesmo, a Warner chegou a declarar isso. E são filmes que eu gosto, em geral.

 

E como você define exatamente o que é um filme bom ou ruim?

Ah, isso você bate o olho e é visceral. É uma química de elementos.  Você pode apontar que é a trama, é isso ou aquilo, mas na verdade é o conjunto de tudo que faz um bom filme ou um mau filme.

 

Então a sua escolha foi totalmente subjetiva?

Totalmente. Foi rigorosamente pessoal.  Eu achei até engraçado que, depois que publiquei o livro, muitas pessoas vieram criticando as minhas escolhas, comentando “Ah, então tinha que incluir todos os filmes da Xuxa”. Eu não sou espectador dos filmes da Xuxa e, por isso, eles não entraram. Os do livro foram filmes que por sorte ou azar eu acabei vendo.

 

Você acredita, então, que o cinema é também uma grande fonte de frases e literatura?

Sem dúvida. Existem grandes frasistas no cinema. Um deles é Woody Allen, mesmo em filmes dele que não são lá muito brilhantes, como Escorpião de Jade e Scoop, você sai com pelo menos uma frase na cabeça. Agora, no ritmo de produção dele e sendo ele criador de produções como Manhattan e Match Point, ele tem todo direito de fracassar aqui e acolá.  Existem filmes que são feitos em cima de efeitos especiais, outros montados em cima de grandes rases. Casablanca, por exemplo, tem um roteiro magnífico, que, se eu colocasse inteiro no livro Cinema Falado, nem precisaria editar.

 

E, para você, onde estão os bons filmes hoje?

Existem grandes criadores no cinema hoje. Acho Tarantino e Brian De Palma geniais. O fato é que existe uma pressão comercial sobre o cinema de arte. É preciso fazer um blockbuster para ser um sucesso no EUA, no Brasil, na Argentina e compensar os custos da indústria. Quanto mais você se aproxima do comercial mais limita a criação e se afasta da arte. Então, os criadores ficam sujeitos a essas pressões que limitam a experimentação.

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