À Procura de Eric
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Filme
| Genero | Comédia • Drama |
| Ano de Produção | 2009 |
| País de Produção | Reino Unido • França • Espanha • Itália • Bélgica |
| Duração | 116 min |
| Diretor | Ken Loach |
| Roteiro | Paul Laverty |
| Fotografia | Barry Ackroyd |
| Distribuidora local | Califórnia Filmes |
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Trailer do Filme |
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Por Vander Colombo
Eric Bishop é um carteiro de meia-idade que perdeu o rumo de sua vida. É infeliz, mora com dois filhos adolescentes alienados e ressente-se por ter estragado tudo com a mulher de sua vida, a qual não vê há décadas e com quem tem uma filha que hoje já é mãe. Porém, acima de tudo, Eric Bishop é um torcedor doente do Manchester United, que usa os jogos na TV ou no estádio como uma espécie de diversão escapista. Acontece que, em um momento de intensa crise interna, Eric começa a poder contar com os conselhos de um amigo imaginário, que tenta ajudá-lo a contornar os problemas que se agravam, e até a torná-lo um homem melhor, esse amigo é ninguém menos que o jogador francês de futebol Éric Daniel Pierre Cantona. É a história de À procura de Eric.
Para quem não conhece ou não lembra, Éric Cantona jogou no Marseille e no Montpellier na França, depois migrou para o futebol inglês atuando no Leeds United, mas foi a partir de 1992, quando ingressou na equipe rubra de Manchester, que Cantona virou o Rei Eric, considerado por uma torcida fanática como o melhor jogador do mundo. Famoso por jogar sempre com a gola levantada, Cantona, infelizmente, apesar do ótimo futebol, é lembrado principalmente pela voadora que aplicou num torcedor do Crystal Palace e que lhe resultou em nove meses de suspensão.
Catona (que também é um dos produtores executivos) se diverte no filme, despeja provérbios (uma referênciaà entrevista coletiva que concedeu quando da já citada suspensão de nove meses, que, aliás, está inclusa durante os créditos finais), toca trompete, fuma maconha, dança Elvis (numa clara insinuação não só ao "rei" e à sua gola, mas aos inúmeros filmes que o cantor americano aparece nessa mesma função de amigo imaginário). E o diretor Ken Loach (Ventos da Liberdade, Pão e rosas) se aproveita bem disso para a comicidade do filme e para construção de uma espécie de ode à camaradagem masculina (longe de qualquer tipo de machismo), pelo futebol ou pelos companheiros de boteco. Pois como diz o próprio personagem de Cantona: "mais importante que um gol é um passe bem feito. É preciso confiar em seus companheiros de equipe".
A ligação do homem suburbano inglês com o seu time de futebol e que torna os finais de semana universos paralelos aos problemas pessoais e do trabalho é muito bem retratada no filme e não é muito diferente do que se passa no Brasil. Por isso é bem provável que ocorra uma identificação de torcedores de times populares daqui com o personagem Eric Bishop.
À procura de Eric não é um filme fantástico e nem chega a ser um filme de destaque na carreira de Loach, mas com certeza é um filme daqueles que fará você sair leve e sorrindo da sala escura, achando que realmente há uma solução para o convívio social pacífico, e, melhor, sem para isso tenha que subjugar seu intelecto em demasia.
Indicado a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 2009.


