Arranca-me a vida
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Filme
| Genero | Drama |
| Ano de Produção | 2008 |
| País de Produção | México |
| Duração | 107 min |
| Diretor | Roberto Sneider |
| Roteiro | Ángeles Mastretta e Roberto Sneider |
| Fotografia | Javier Aguirresarobe |
| Trilha | Leonardo Heiblum e Jacobo Lieberman |
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Trailer do Filme |
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Por Alessandra Ogeda
A trajetória de uma mulher e de um país. Arranca-me a vida, superprodução mexicana que representou o país na busca por uma vaga entre os filmes estrangeiros no último Oscar, segue a linha tradicional dos romances que contam a vida de algumas personalidades e, simultaneamente, o contexto histórico de uma nação. Inspirado na obra da escritora Ángeles Mastretta, o filme trata de romances, traições, política e, principalmente, da descoberta da maturidade da protagonista Catalina Guzman (Ana Claudia Talancón) e do México, onde ela nasceu.
Existia uma grande expectativa sobre Arranca-me a vida antes mesmo de as filmagens comandadas pelo diretor Roberto Sneider, responsável também pelo roteiro do filme, começarem. Isso porque a obra original de Ángeles Mastretta, nascida na cidade de Puebla há 60 anos, tinha recebido um dos prêmios mais importantes da literatura mexicana, o Mazatlán, em 1985. Mastretta estreou na literatura com Arranca-me a vida, que, além de premiado, foi publicado na Espanha e traduzido para cinco idiomas europeus.
O filme adaptado da obra de Mastretta começa na pequena cidade mexicana de Puebla em 1932. Ali, na região central da cidade, Catalina Guzman conhece o general Andrés Ascencio (Daniel Giménez Cacho). Sedenta por conhecer mais sobre a vida e o mundo, Catalina fica fascinada por Andrés, um homem mais velho e experiente que parece ser a alternativa perfeita para que a adolescente mude sua realidade. Frente à autoridade de um general, os pais da jovem têm pouco a fazer, e ela logo descobre as belezas do mar, ao qual nunca havia visto, e do sexo. Ou quase.
Depois de passar alguns dias com o general numa praia, Catalina volta à casa dos pais. Andrés Ascencio desaparece por um longo período, mas, quando reaparece, é para informar à bela adolescente de que eles irão se casar. Sem perguntas, afinal a opinião de Catalina ou sua família pouco importa. Andrés precisa de uma esposa jovem e bonita para ajudar-lhe em sua campanha política – ela deve ficar ao seu lado, sempre que necessário, e preferencialmente calada.
Manipulador e ambicioso, Andrés sabe jogar com os militares e com os políticos mexicanos. Catalina acompanha, pouco a pouco, como o marido vai ganhando poder e riqueza, matando quem fica em seu caminho. No filme, a inocente Catalina não demora muito para descobrir que Andrés tem várias amantes e filhos fora do casamento. Ela própria, por sua conta, consegue ter seus casos extraconjugais – o mais importante deles com o maestro Carlos Vives (José Maria de Tavira).
Seguindo a linha dorsal da obra de Mastretta, o diretor Roberto Sneider narra a história de uma mulher que passa por diferentes formas de controle e repressão e que, aos poucos, vai se libertando de cada uma de suas amarras. O roteiro de Sneider é envolvente, ainda que não fuja em momento algum de uma narrativa clássica de novela. O espectador não tem dúvidas sobre o que acontecerá no minuto seguinte – neste filme não há surpresas, ainda que exista uma franqueza em seu discurso, em muitos momentos, pouco comum em história do gênero (méritos de Mastretta mais que de Sneider).
Arranca-me a vida tem o espírito feminista de sua obra original por revelar a busca de uma mulher pelo prazer, pela independência, pelo amor e por sua liberdade. Contra ela, uma sociedade machista, como é conhecida a sociedade mexicana, e um período histórico bastante duro: os anos 1930 e 1940.
Um dos problemas do roteiro, aliás, é a forma vaga com que o texto de Sneider trata o contexto histórico que envolve Arranca-me a vida. Não custa lembrar que o México havia passado, anos antes de a narrativa do filme começar, por uma fase de modernização conservadora iniciada após a Revolução Mexicana. No período de 1934 e 1940, durante o governo de Lazaro Cárdenas, o país viveu uma fase de gestão populista, com a centralização do desenvolvimento nacional na figura do Estado. Neste contexto, o personagem de Andres Ascencio se justifica como o herdeiro de um populismo nacionalista que seria abalado pouco depois pela entrada do capital estrangeiro no país.
Bem produzido, o filme ganha pontos pela bela direção de fotografia de Javier Aguirresarobe e pela trilha sonora envolvente de Leonardo Heiblum e Jacobo Lieberman. No geral, esta produção justifica, em seus detalhes, o orçamento de US$ 5,5 milhões – muito acima dos padrões do cinema mexicano.
O elenco do filme cumpre bem o seu papel. Merece destaque o trabalho de Ana Claudia Talancón, que assume com propriedade o peso de sua personagem. A atriz ganhou um dos dois prêmios recebidos pelo filme: o de Melhor Atriz pela votação da associação de jornalistas mexicanos especializados em cinema.
Arranca-me a vida recebeu ainda o Prêmio Ariel, no México, por sua direção de arte. Apesar destes prêmios, do grande orçamento que recebeu e do sucesso que teve nas bilheterias mexicanas (ele conquistou um público de 2,6 milhões de pessoas), Arranca-me a vida não conseguiu figurar entre os cinco finalistas ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano.


