Bons Costumes
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Filme
| Genero | Comédia • Romance |
| Ano de Produção | 2008 |
| País de Produção | Reino Unido • Canadá |
| Duração | 97 min |
| Diretor | Stephan Elliott |
| Roteiro | Stephan Elliott • Sheridan Jobbins |
| Fotografia | Martin Kenzie |
| Distribuidora local | Sony Pictures |
| Trilha | Marius De Vries |
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Trailer do Filme |
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Por Monike Mar
A irreverência de Stephen Elliot há muito já diverte — ou ainda choca — milhares de espectadores que se defrontam com a história sobre a viagem de travestis mais famosa de todos os tempos em Priscila, a rainha do deserto, seu segundo filme e o mais marcante até hoje. Agora, Bons costumes entra para a lista da carreira de Elliot com maior destaque em relação aos outros três do diretor, que desde Sedução fatal criou uma lacuna de quase dez anos até este último trabalho, sem consistência suficiente para desbancar o clássico de 1994. Era isso mesmo que já se esperava.
Bons costumes, enquanto pretende ser uma refilmagem do filme mudo homônimo em inglês do mestre Alfred Hitchcock, Easy virtue, afasta-se dessa primeira intenção investindo na quebra de tradicionalismos ingleses pela chegada de uma americana à família aristocrata de John Whittaker, personagem de Ben Barnes. O longa, a todo momento, dá a impressão de que pretende ser uma comédia de costumes — e termina só na pretensão. Nesse tipo de filme o principal problema surge da necessidade de o choque, pela quebra de tradicionalismos, precisar saltar, antes de tudo, de uma vibração cinematográfica, uma energia inovadora que, no fim das contas, falta a Bons costumes. O filme deixa a desejar algo mais substancial ao ganhar ares de O diário da princesa e Em busca da terra do nunca, por exemplo.
Esses elementos são potencialmente disfarçáveis, já que a aposta maior é nas tiradas e alfinetadas de Larita — na pele de Jessica Biel — à sua sogra, interpretada por Kristin Scott Thomas. A composição da trilha e a comicidade também dão conta de disfarçar o que o tema clama e o filme não atende. O estilo de Elliot já foi visto e só tende a corroborar com a comum marca americana de se fazer comédia, de se fazer cinema.
Em histórias em que um personagem central entra em conflito social por conta de sua autêntica personalidade, o interessante é o ponto de partida: moralismos sociais, quase os mesmos contestados pelo comportamento anticonvencional. Essa é uma das principais contradições do gênero. Qualquer comédia só sobrevive por partir de princípios pré-concebidos ou já arraigados culturalmente. No caso de Bons costumes, a heroína é uma norte-americana que entra em conflito com os hábitos ingleses. Então, o filme transforma uma americana em heroína... Alguma novidade?
Tanto o filme de Elliot quanto o de Hitchcock são baseados no livro de Noel Coward, também chamado Easy virtue. O romance foi escrito em 1924, época que faz de Coward um atento cidadão de seu tempo, ao observar as nuances aristocratas e o disparatado comportamento contrastante da classe média estrangeira. A diferença está na forma: o modo de lidar com as representações dessas nuances é o que faz de uma adaptação um novo filme ou só mais um longa.
Apesar das características sobressaltadas em uma análise da ausência, Bons costumes tem o mérito de ambientar a história à década em uma produção artística luxuosa. A refilmagem, aqui, pode ser um mero pretexto de justificativas ou uma tentativa de elevar o filme ao status de um trabalho inspirado em um dos ícones do cinema clássico. Uma livre adaptação da adaptação? Não, Bons costumes demonstra a que veio ao se revelar um trabalho feito para divertir, mas sem melindrar o anticonvencional. Apenas convence.


