Coração louco
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03 de Março de 2010
0
Filme
| Genero | Drama |
| Ano de Produção | 2009 |
| País de Produção | EUA |
| Duração | 112 min |
| Diretor | Scott Cooper |
| Roteiro | Scott Cooper • Thomas Cobb (livro) |
| Fotografia | Barry Markowitz |
| Figurino | Doug Hall |
| Distribuidora local | Fox |
| Trilha | Stephen Bruton • T-Bone Burnett |
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Trailer do Filme |
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Ao ver Coração louco, de Scott Cooper, a comparação com O lutador, de Darren Aronofsky, é inevitável. Mickey Rourke e Jeff Bridges, Randy "The Ram" Robinson e Bad Blake, vivem personalidades decadentes, entregues aos vícios de carreiras capengas, quando conhecem mães solteiras redentoras. É mais fácil envelhecer cantor que lutador, contudo, e essa história já foi contada várias vezes. O que faz de Coração louco um filme honesto e emocionante, que trepida, mas não cai nos clichês de sua trama, é a atuação de Jeff Bridges. Ano passado esse era o filme de Rourke, também favorito ao Oscar. Em 2010, porém, Bridges parece não ter concorrência.
Coração louco é a estreia de Cooper, preparador de personagens, na direção. Não é exagero dizer que reside aí o trunfo da produção, que nos brinda com um personagem ao mesmo tempo decepcionado e desesperado, ressentido e prazeroso. Com quase 40 anos de carreira e quatro indicações ao Oscar (Uma sessão de cinema, O último golpe, O homem das estrelas e A conspiração) Bridges chega a Coração louco no auge de sua forma — embora a barrigona branca esteja lá, entre uma camisa aberta e outra, e incomode nos primeiros minutos do filme.
Coração louco é a estreia de Cooper, preparador de personagens, na direção. Não é exagero dizer que reside aí o trunfo da produção, que nos brinda com um personagem ao mesmo tempo decepcionado e desesperado, ressentido e prazeroso. Com quase 40 anos de carreira e quatro indicações ao Oscar (Uma sessão de cinema, O último golpe, O homem das estrelas e A conspiração) Bridges chega a Coração louco no auge de sua forma — embora a barrigona branca esteja lá, entre uma camisa aberta e outra, e incomode nos primeiros minutos do filme.
Aqui, ele é Bad Blake, calejado do country, de cabelo grisalho desgrenhado e alguns quilos a mais, que equilibra na cabeça um chapéu; na boca, um cigarro; no nariz, um Ray Ban caramelo; e, às vezes, um copo de uísque na barriga. Veterano de quatro casamentos, toca seu country em buracos de cidadezinhas americanas, para seu público e suas groupies de terceira idade. A eles bastam os antigos sucessos e o charme cambaleante do alto das botas de vaqueiro de Blake. É essa figura que encontra a jornalista Jean — Maggie Gyllenhaal, em boa performance num personagem pouco crível, ponto fraco do roteiro — a quem o cantor entrega seu coração louco em frangalhos.
O primeiro terço do filme, que apresenta o incrível Blake & sua rotina maldita são encantadores. Lá para o fim Coração louco perde o ritmo porque você já conhece essa história muito bem. O cantor alcoólatra faz burrada, quebra o coração da mocinha e sua dor de cotovelo lhe proporciona o retorno da inspiração, adormecida pelo uísque e pelos anos. Mas é aí que Bridges toma as rédeas do filme, que mesmo equilibrado em clichês, consegue ser extremamente emocionante.
Em dueto com a interpretação de Bridges e sendo condição vital para o êxito de Coração louco é a excelente música que Blake canta, que também concorre a Melhor Canção Original no Oscar. O produtor musical T Bone Burnett e o guitarrista Stephen Bruton escreveram The weary kind, que compõe a melancolia de Blake tanto quanto as palavras e os gestos de Bridges.
Como bônus, há ainda os azuis do céu do Texas, captados com maestria pela fotografia de Barry Markowitz, assim como o brilho apaixonado dos olhos de Maggie. Mas, surpresa mais grata é Tommy Sweet, o aprendiz supostamente ingrato de Blake, que hoje balança as botas num country moderno, cantando os hits escritos pelo mentor. Quando entra em cena, entretanto, o que vemos é um Colin Farrell tímido, retraído ao extremo de não encarar nos olhos, tão grato que quase arrependido. A ponta de Farrell comprova que, como fez em Na mira do chefe, é mais descontraído e eficaz como protagonista cult, alternativo, que nos papéis de herói clássico. Coração louco é memorável, por — e para — Bidges e Farrell.
O primeiro terço do filme, que apresenta o incrível Blake & sua rotina maldita são encantadores. Lá para o fim Coração louco perde o ritmo porque você já conhece essa história muito bem. O cantor alcoólatra faz burrada, quebra o coração da mocinha e sua dor de cotovelo lhe proporciona o retorno da inspiração, adormecida pelo uísque e pelos anos. Mas é aí que Bridges toma as rédeas do filme, que mesmo equilibrado em clichês, consegue ser extremamente emocionante.
Em dueto com a interpretação de Bridges e sendo condição vital para o êxito de Coração louco é a excelente música que Blake canta, que também concorre a Melhor Canção Original no Oscar. O produtor musical T Bone Burnett e o guitarrista Stephen Bruton escreveram The weary kind, que compõe a melancolia de Blake tanto quanto as palavras e os gestos de Bridges.
Como bônus, há ainda os azuis do céu do Texas, captados com maestria pela fotografia de Barry Markowitz, assim como o brilho apaixonado dos olhos de Maggie. Mas, surpresa mais grata é Tommy Sweet, o aprendiz supostamente ingrato de Blake, que hoje balança as botas num country moderno, cantando os hits escritos pelo mentor. Quando entra em cena, entretanto, o que vemos é um Colin Farrell tímido, retraído ao extremo de não encarar nos olhos, tão grato que quase arrependido. A ponta de Farrell comprova que, como fez em Na mira do chefe, é mais descontraído e eficaz como protagonista cult, alternativo, que nos papéis de herói clássico. Coração louco é memorável, por — e para — Bidges e Farrell.
Análise do Editor
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