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Direito de amar

Direito de amar

Filme

Genero Drama
Ano de Produção 2009
País de Produção EUA
Duração 101 min
Diretor Tom Ford
Roteiro Tom Ford e David Scearce
Fotografia Eduard Grau
Figurino Arianne Phillips
Distribuidora local Paris Filmes
Trilha Abel Korzeniowski

Trailer do Filme

Adaptar um livro de tom intimista e psicológico, onde o personagem aparece sem um sentido na vida e sofrido poderia resultar num  melodrama repleto de clichês não fosse a elegância na direção estreante do estilista Tom Ford, nas interpretações de Colin Firth e  Julianne Moore e na fotografia de Eduard Grau.  Firth faz o papel principal como George numa atuação intrigante que mistura o mórbido e o irônico de forma caricata, trazendo certo humor às cenas de um homem que não consegue assimilar a perda do companheiro com quem vivia há anos, Jim, e começa a ensaiar a forma mais interessante de se matar. A interpretação rendeu a Colin Firth o prêmio de Melhor Ator no Festival de Veneza e no BAFTA, além da indicação ao Oscar e ao Globo de Ouro.


O longa-metragem Direito de amar é inspirado no livro de Christopher Isherwood A single man, que costuma ser listado entre os melhores filmes de temática gay do século 20, mas é bem mais que isso. A narrativa que se passa nos anos 1960 – o livro foi escrito em 1964 – tem seu valor psicológico ao adentrar na angústia do personagem, que é um professor universitário,  e trazer uma dor universal – a da perda - às telas. Um enredo que abrange idas e vindas, relacionamentos e solidão, existência e dor numa espécie de dança da vida – aliás, bem ritmada pela trilha sonora de Abel Korzeniowski, que traz força e impacto às cenas e confere certo reforço no aspecto caricato e dolorido do personagem.


Apesar de encontrar-se num estado apatia e inclinamento ao suicídio, George também reencontra pessoas e até se diverte. Uma delas é Charley,  personagem interpretada por Julianne Moore, uma antiga namorada, que passou a ser uma amiga depois de o perder, embora ainda demonstre um desejo por ele. Agora, é um aluno que desperta no personagem alguma vivacidade escondida. Nesse momento, lidando com o inesperado encontro, com delicadas sensualidades,  George descobre que na vida há coisas que não se planeja, elas simplesmente acontecem, entre elas, a morte.


O filme opta por focar na história de George e Jim e para voltar ao passado utiliza flashbacks um tanto forçados e dramáticos demais. As imagens que variam do cinza ao colorido vívido, entre as memórias do passado do personagem e a vivência do presente. Por se passar nos anos 1960, o  filme ganha um aspecto antigo, que é retratado também nos figurinos e aparência dos personagens. De maneira geral, a fotografia ganha uma aparência antiga e elegante. Pode-se dizer, em se tratando de um diretor que é um dos grandes nomes da moda, que o filme tem é estilo.


Na verdade, a maior elegância da adaptação é trazer a característica do livro de tratar o universo gay de maneira muito natural e delicada. Mostrar que uma história de amor bonita, que deixa um forte sofrimento de perda por ter sido intensa, também acontece entre pessoas do mesmo sexo livremente. Por ter esse cunho de uma narrativa homossexual com naturalidade – não cheia de debates - e tratar de angústias que são universais, o título Direito de amar em português foi uma barbeiragem na escolha para a transmissão da ideia do filme chamado A single man no original. É uma história humana e mostra que humanidade e afetos, assim como angústias e perdas, são das coisas incontidas, que independem da orientação sexual.

Análise do Editor

AVALIAÇÃO GERAL: 
 
4.0
Roteiro:
 
4.0
Direção:
 
4.0
Fotografia:
 
4.0
Tilha Sonora:
 
4.0
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Yes No
7 de 8 pessoas consideraram esta análise útil
 
 


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Comentários (1)

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projeção digital à brasileira
0
Estou postando este comentário já com um pouco de atraso porque na época em que assisti a este filme não me deparei com nenhuma chance on line para fazer este protesto contra a qualidade da projeção digital em que assisti a este admirável filme no cinema Estação Ipanema 1.
Um filme como este, em que a direção de arte é quase como um personagem, é um massacre e uma covardia contra o público pagante a sua projeção com as cores esmaecidas e o enquadramento simplificado como foram praticados naquela sessão.
Fica aqui uma solicitação para que as bilheterias informem ao consumidor, no ato da compra do ingresso, o tipo de projeção que está sendo oferecida, assim como nas diversas mostras extras que ocorrem em centros culturais e afins, que se auto-classificam como mostras de cinema e exibem os filmes em dvd.
Conclamo os cinéfilos a se mobilizarem contra esta prática a fim de que sejam tomadas medidas cabíveis para coibir esta fraude.
danilogo , março 21, 2010

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