O Desinformante
| 5.0 | ||
| 3.0 (1) |
Filme
| Genero | Policial |
| Ano de Produção | 2009 |
| País de Produção | EUA |
| Duração | 108 min |
| Diretor | Steven Soderbergh |
| Roteiro | Scott Z. Burns |
| Fotografia | Steven Soderbergh |
| Distribuidora local | Warner Bros |
| Trilha | Marvin Hamlisch |
|
Trailer do Filme |
|
Por Dirley Fernandes
As melhores mentiras são aquelas em que o mentiroso mais acredita. Quando contamos a mais deslavada das mentiras, precisamos estar convencidíssimos da veracidade dela para que ela se realize para os interlocutores tanto quanto é real para nós mesmos. Esse é o papel de quem faz cinema. Mas, e quando o filme é "baseado em fatos reais"?
Paradoxalmente, a mentira fica mais difícil de contar. Porque é necessário um esforço maior de convencimento de que aquilo "aconteceu realmente". Steven Soderbergh está falando novamente de cinema – ou melhor, de como a imagem pública e a autopercepção se formam e ganham status de frágil realidade – em seu O desinformante. O filme narra a saga do anti-herói corporativo americano Mark Whitacre (Matt Damon). Executivo em ascensão numa megaindústria de alimentos (ADM), Whitacre está à beira do topo, mas será fatalmente barrado em seu caminho, dada a origem familiar da estrutura da empresa, e a seu caipirismo indisfarçável, mesmo diante de sua sólida formação e de seu poliglotismo.
Com sua mente sempre capaz de tanto ir mais fundo quanto mais longe do que a realidade oferece – e os devaneios alucinados de Whitacre, em off, contrastando com o gestual hipernormal composto por Damon garantem boa parte da graça do filme –o executivo acaba se envolvendo com agentes do FBI, a quem dedura um esquema de manipulação de preços feita por sua companhia e por outra meia dúzia de concorrentes globais – no qual ele exerce papel-chave, aliás.
Whitacre começa, então, uma longa colaboração com os agentes, gravando centenas de fitas de áudio e vídeo de negociações, contando a verdade em pílulas, tomando atitudes cada vez mais estranhas e se emaranhando em mentiras. Enquanto ferrava seus chefes, Whitacre, que seria diagnosticado como bipolar, mantinha a esperança patética de emergir da confusão em que se enredava como a única alternativa de comando da ADM.
Essa descrição aparentemente excessiva da trama é até contida, para não estragar as surpresas. A história do executivo Mark Whitacre é tão rocambolesca que a saída para contá-la não poderia ser outra que não o humor. O desafio posto, então, era o seguinte: exibir uma história sobre fraudes corporativas, protagonizada por um personagem com problemas psiquiátricos graves que sofreu um bocado e que ainda está vivo e trabalhando, de forma bem-humorada. O desinformante consegue, com elegância e fluidez. Nas salas, o filme vai provocar aquelas risadas desordenadas, nervosas, nunca uníssonas, de acordo com como cada blague vai tocar o entendimento e a emoção de cada pessoa.
Soderbergh e seu roteirista Scott Z. Burns equilibram didatismo e agilidade, sem lançar mão de quaisquer maneirismos experimentais que, para esse filme, seriam excessivos. Para isso, contam com auxílio de fotografia e trilha sonora que ressaltam o obscuro, como um reflexo da mente atormentada e da vida dupla ou tripla de seu personagem principal, tentando lembrar sempre que, no fundo, ele é digno de nossa piedade – um mocinho gauche.
Matt Damon está impressionante em sua caracterização. Mais velho, mais gordo, com os trejeitos típicos de um executivo boa praça do Meio Oeste, ele sua a camisa para dar credibilidade a seu personagem: um "herói nacional", segundo o FBI, ou, sob outra lente, um mentiroso espetacular.
Análise do Editor
Análises dos usuários
Avaliação média dos usuários: 1 usuário(s)
História interessante, Matt Damon sempre ótimo, mas achei que o filme custou a terminar.
Críticas
| Voce recomenda? | Não |


