Terra Sonâmbula
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Filme
| Genero | Drama |
| Ano de Produção | 2006 |
| País de Produção | França • Portugal • Alemanha • Moçambique |
| Duração | 103 min |
| Diretor | Teresa Prata |
| Roteiro | Teresa Prata |
| Distribuidora local | Panda Filmes |
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Trailer do Filme |
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Por Daniel Schenker
O ancião Tuahir repreende constantemente o menino Muidinga por se lamentar pelo que passou — mesmo em se tratando de um sofrimento inevitável, como o do distanciamento da mãe durante a guerra civil que assolou Moçambique entre 1977 e 1992. Mas Tuahir sonha com o fim da guerra e a volta dos velhos tempos ao olhar para as estradas, antes repletas de caminhões e hoje desertas, cheias de minas, por onde vagueiam, sem norte, poucos transeuntes, alguns enredados na loucura.
É uma estrada que não leva a lugar nenhum, como constata Muidinga ao reencontrar a mesma carcaça enferrujada de ônibus depois de muita caminhada. "Não aguento mais viver entre os mortos", exclama, no início da projeção. Diante de uma realidade tão adversa, a única saída parece estar na imaginação.
Muidinga e Tuahir leem a história de Kindzu, confrontado com o extermínio familiar durante a guerra, que decide procurar pelo filho de Farida, mulher que encontra num navio encalhado. A embarcação e o cabrito de estimação de Muidinga são sugestivamente chamados de Moby Dick, referência à baleia que intitula a célebre obra de Herman Melville.
Diante da súbita descoberta de um poço, Muidinga vê a água brotar e se avolumar como um rio caudaloso. Por este rio imaginário, ele e Tuahir trafegam utilizando o ônibus como barco. As relações se tornam bem mais amistosas. Entretanto, neste plano suspenso do real, o confronto com a morte permanece inevitável.
Escorada no romance homônimo de Mia Couto, a diretora Teresa Prata assina um filme distante de golpes de grandiloquência, que tem parte de seus encantos e de suas limitações nos trabalhos dos não-atores, que declamam o texto sem, contudo, soarem inteiramente postiços. Em destaque, Ilda Gonzalez, encarregada de interpretar a sofrida Farida. Eleito Melhor Filme e Roteiro no Festival de Cinema Latino do Paraná, Terra sonâmbula segue determinadas convenções, a exemplo da trilha sonora, usada com alguma discrição.


